Mulheres (Memória Fotográfica)


Vou generalizar. Conheço dois tipos de mulheres. No fundo são vários tipos, com um tanto a mais ou a menos de cada uma dessas duas que vou descrever. Por isso to generalizando.


O primeiro tipo são as mulheres que descendem de Eva. Elas acreditam que vieram do homem e o servem, cada qual á sua maneira. Se sentem obrigadas à acompanha-lo em seu sucesso ou em sua danação. Não é simples conformismo, às vezes nem é em absoluto; isso se mostra em atitudes simples e pequenas. Faz disso o cotidiano. São aquelas mulheres influenciáveis, que gostam do seu companheiro, seja quem for, com uma admiração infantil, que mudam seu jeito de falar para imitá-lo, mudam suas opiniões sem saber direito o porquê. Se iludem vendo só as qualidades, fingindo cegueira aos defeitos, até que se sentem confusas; e, então, só vêem defeitos. Transformam o herói em vilão, quando na verdade ele sempre foi as duas coisas juntas, todo o tempo. A maioria delas sabe que é desse tipo, mas admitir isso, simplesmente, não melhora em nada. Não tem muita iniciativa, hesitam até o último momento. E são paranóicas.

O segundo tipo de mulher, as gregas, descendem de Athenas, que foi tirada do cérebro de Zeus; sabem muito bem que não tem nada a ver com nossas entranhas, nossos colossos ou nossas ruínas. São as mulheres corajosas. O que é diferente de ser sempre forte ou inabalável. Sofrem como todas, choram sem motivo, suspiram pelo que querem. Mas, finda a tempestade, estufam o peito e encaram o que precisar. Pagam pra ver, mesmo na incerteza, mesmo sem saber se podem se machucar de novo – tem fé no próprio taco de que vão desviar do tapa que antevirem. E são as melhores companheiras, porque o são voluntariamente, e sem criar um mundo de pré-requisitos pra isso. Sabem dizer algumas coisas sem usar palavras, não acreditam no silêncio completo. Deixam ir quando é hora de ir, e se vão quando precisam – sabendo a verdade de que, no fundo, ninguém esquece ninguém, é infantil se esforçar nisso. São as mulheres que, na TPM, xingam meio mundo, mas tem cabeça aberta pra pedir desculpas do que se arrependem ou reforçar o que vira certeza.

São duas faces opostas de mulheres. E nenhuma, de todas que já conheci, é somente um desses lados. Sempre há um tanto de cada, tendem pra uma ou outra, ou até pra outras vias que ainda não percebi. Generalizei, avisei no começo, mas cada uma sabe o que é e não dá pra disfarçar pro resto do mundo, mesmo que se tente. Modelo ou não, alguma coisa daí se encaixa.

Na foto, está a atriz Rose Gonçalves em um sketch, quase uma performance, em um festival que fotografei. Uma cena curta, de uma mulher que, solitária no centro do palco, descasca cebolas ao som de uma música triste. As lágrimas não vem só do preparo, são de uma história vivida. Eu não sabia nada da cena antes dela acontecer, mas quando entendi o que era, procurei uma distância pra registrar essa solidão, um único foco de luz no palco sobre a cena e mais nada ao redor. É a mulher que veio de Eva, em seu estereótipo. E foi daí que pude ver um pouco desses sentidos todos.



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Créditos:
Texto e fotografia: Thiago Carvalho (todos os direitos reservados)
Publicado no blog O Inimigo do Bom é o Melhor

comment 2 comentários:

mara on 06:22 disse...

Querido Thiago. fico feliz com sua iniciativa. que renda muitos frutos, fotos e "causos". bjks Mara Faria

magra disse...

bonito bonito!
agora eu vejo onde vc aplica um pouco de nossas conversas!! hahaha

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