Olimpíadas


Ano de olimpíadas é aquele alvoroço todo. Colocam um carinha em cada país pra correr com a tocha. Duvido que aquela coisa não apague no caminho. A não ser que seja o Amyr Klink carregando, aí boto fé. E tem que ser tudo muito bem planejado:

- Cadê o cara da tocha? Já estamos 20 minutos atrasados. O fogo vai apagar. Sabia. Só acontece comigo.

- Calma, ele deve tá vindo. Ouviu do engarrafamento hoje? E tem uma passeata de bicicleta também.

- E se ele ficou detido na alfândega? Sei não, isso de entrar correndo num país com um negócio pegando fogo é meio suspeito...

- Tá todo mundo avisado. Daqui a pouco o Godot chega.

- Quem?

- Godot. O cara que tá trazendo a tocha.

- Ih, fudeu...

Quando chega no país que sedia os jogos, rola aquela festa. O que eu acho meio forçado. Tá certo que o fogo foi uma grande invenção, a homenagem é pra isso. Mas ninguém fez uma festa assim pras outras grandes invenções: a navegação, a penicilina, o velcro, a Ana Hickman...

Mas esse circo todo só acontece de quatro em quatro anos, né não?

Não!

Existe uma infinidade de jogos olímpicos regionais que atraem participantes do mundo inteiro. Tenho certeza de que você já viu alguns: na TV é cheio. Em programas tipo “Isso é Incrível”. Uma boa metade do Guinnes é preenchida com eles também. A gente só não fica sabendo de muitos outros porque não tem a Shakira cantando na abertura.

Algumas competições são perigosas. No Canadá, por exemplo, tem uma prova que foi criada por antigos lenhadores. Uma árvore é cortada e o atleta tem que segurá-la em queda. Quem conseguir segurar a maior árvore, ganha o prêmio. Que vai pra família, normalmente. Os perdedores costumam ganhar pelo menos uma hérnia, como prêmio de participação. Na Noruega tem uma prova de arremesso de gente em uma catapulta. É uma prova de dupla: um controla a catapulta e o outro é catapultado. O arremessado tem que pousar em uma rede: se cair fora, o arremessador é desclassificado e preso por assassinato. Se quicar na rede e cair no chão, recebe metade dos pontos e a federação inteira é presa por ser responsável pela rede.

Na Itália acontece a tradicional luta livre de marionetes. La Rinha di ill Pinocchios. Artesãos do mundo inteiro participam ativamente, apesar da dor nas costas. A Liga dos Vovôs, da Alemanha, é famosa pelos títulos. A Guilda dos Caras de Pau, do Vaticano, também. Os bonecos são pesados antes da disputa, para lutarem na categoria correta. É feito também um exame de cupins, desde a prova de 1932, onde uma epidemia desses insetos foi responsável por uma série de desmembramentos.

Na França, além do Tour de France, acontece também o Tour de Trance: os competidores tem que concluir o trajeto de mil quilômetros dançando loucamente, sô consumindo água mineral e pirulito. Acho que foi daí que batizaram um negócio de “bicicletinha”. Em San Francisco, na Califórnia, existe hoje uma competição parecida com a Corrida dos Touros espanhola: é a Corrida dos Loiros. Um grupo de mancebos é colocado atrás de uma cerca, ao som de Donna Summer, enquanto os competidores (vestidos de bombeiros, policiais, mecânicos, índio apache e outras fantasias), se preparam. Quando o juiz dá o sinal, seguido de gritinhos, as porteiras são abertas. Os competidores têm que correr todo o trajeto sem serem apanhados pelos loiros. Senão, créu! Mas tem uns que atrasam o passo, ô se tem.

No Brasil tem duas muito famosas. A primeira é o nado sincronizado na lama. Sediado sempre em Brasília. A outra é um tipo de corrida multiveículos: vale carro, caminhão, bicicleta, ônibus, lambreta. Foi famosa a prova de 2005, onde o ganhador correu com um patinete. Acontece sempre em uma pista cheia de curvas. O detalhe é que, a cada volta, cada participante tem que beber uma lata de cerveja. Dizem que é pra celebrar o estilo de vida brasileiro. Na sexta volta começam os acidentes. Na décima primeira, mais da metade já está fora. Na vigésima, tá todo mundo estropiado, mas ouvindo samba, se abraçando como velhos amigos e dizendo com a cara bem perto um do outro, puxando pela lapela, que são assim ó, com o Zeca Pagodinho. Tem eliminatórias dessa prova, todos os dias, na serra de Petrópolis.


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Créditos:
Texto e fotografia: Thiago Carvalho (todos os direitos reservados)
Publicado no blog O Inimigo do Bom é o Melhor

comment 1 comentários:

lucidreira on 07:02 disse...

Muito bom mesmo, você foi extremamente elegante com os nossos competidores.
Abraço

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