Charge sem Imagem (2)


O cavaleiro em pose triunfante, os pés sobre o dragão recém abatido, se pavoneando para a princesa. Ela dá de ombros:

- Aposto que faz isso pra todas...

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O médico diz: - O senhor precisa escolher: um regime sem gordura e sal, e a vida; ou a macarronada, mousse de chocolate, refrigerantes, feijoada com carne de sol e lingüiça, aquele torresminho recém frito, com a gordura no ponto, crocante por fora e com a carne macia por dentro, acompanhado de uma cervejinha bem gelada, e a morte.

E o paciente diz: - E você tem aí o endereço desse restaurante?

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A mulher, de burka, atende à porta. Tudo o que se vê de fora é uma paisagem, dia ensolarado, e uma grande montanha próxima.

Ela se volta e grita: - Maomé, é pra você!

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A família reunida jogando um jogo de tabuleiro. A mãe rola os dados, caminha com sua peça e cai no quadrado “Vá para a cadeia”. Nesse instante, a polícia chega arrombando a porta e invadindo a casa.

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Garoto fazendo bola com o chiclete. Sopra com mais força e a bola fica maior. Sopra ainda mais e a bola continua crescendo. Sopra até fica roxo e a bola fica enorme. O garoto explode.

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Duas tartarugas de casco vermelho andando de um lado ao outro entre dois canos:

- É hoje que a gente pega ele!
- É hoje! Não escapa!
- Yeah!
- Yeah!

E, então, Mário atravessa, com um pulo, os dois canos.

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Placa educativa para a nova geração de turistas: “Mount Rushmore, the first billboard of a boy band in history!”

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Dica de jogo: pressione direita, X, X, esquerda, esquerda, cima, Y, W, A, A, X, baixo, cima, direita, direita, W, W, L, R, R, baixo, esquerda, W, A, B, meia lua nove vezes e seu personagem lhe dará uma tendinite.

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O assassino, pouco antes de matar o mímico, toma o cuidado de colocar o silenciador na arma.

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Esse quadro, em particular, sintetiza toda magnitude da tragédia humana. Seus tons em vermelho representam a angústia existencial, o amarelo espalhado é toda a problemática das civilizações contemporâneas, o verde demonstra claramente a hermenêutica das questões eternas. O fundo cinza é uma metáfora do nivelamento dos tipos humanos em uma sociedade de despersonalização, enquanto o rosa é a única esperança, dispersa e insuficiente, de uma salvação do indivíduo. A uma certa distância, ideal, o quadro se afigura como toda uma representação das lutas de classes no caminho da história, enquanto, um passo atrás, é somente uma pintura de um unicórnio, velada crítica às mulheres criadas em meio aos idealismos de contos de fada. Percebe-se, pela sutil redondeza das bordas, que o artista quis demonstrar que os conflitos retratados são cíclicos e que prendem o ser humano a padrões pré-definidos de comportamento dos quais somos, conflitantemente, algozes e escravos.

E é exatamente por isso que eu odeio a arte.

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O suicida, no primeiro segundo da queda, se lembra que esqueceu de deixar a luz de casa acesa pra espantar os ladrões...


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Créditos:
Texto e fotografia: Thiago Carvalho (todos os direitos reservados)
Publicado no blog O Inimigo do Bom é o Melhor

comment 3 comentários:

Thiago Carvalho disse...

Charges que escrevi, mas tenho preguiça de desenhar...

Antonio Carlos Muniz Macedo on 16:47 disse...

Gostei! muito criativo, refinado

Rodrigo Rocha on 07:07 disse...

Thiago passei para conhecer seu blog ele é notº 10, excelente trabalho desejo muito sucesso em sua caminhada e objetivo no seu Hiper blog e que Deus ilumine seus caminhos e da sua família
Um grande abraço e tudo de bom e aceitei você como amigo no diHITT

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